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Hospital do Câncer vai abrir filiais

Roberta Campassi

Depois de reestruturar suas dívidas, fazer reformas em infra-estrutura e elevar os investimentos com publicidade, o hospital A.C. Camargo, também conhecido como Hospital do Câncer, se prepara para expandir. Além da construção de dois novos prédios junto à sua sede, anunciados em fevereiro deste ano, o hospital planeja criar unidades de atendimento espalhadas pela cidade e crescer com o ensino à distância.

Segundo Irlau Machado, presidente da instituição, até o fim de 2009 serão inauguradas três unidades de atendimento ambulatorial em bairros estratégicos de São Paulo. O executivo não divulga as localidades, mas afirma que elas estão sendo definidas conforme o tamanho da demanda de cada uma, com base nos dados que o hospital tem sobre os pacientes que atende. De início, as unidades vão oferecer consultas e tratamento de quimioterapia. "O objetivo é capilarizar a estrutura e levar o hospital para perto do público", diz Machado. Uma estratégia parecida foi criada pelo hospital Albert Einstein, localizado no bairro do Morumbi. Nesse caso, a instituição abriu três unidades de diagnóstico e pronto-socorro em locais nobres da capital - Ibirapuera, Jardins e Alphaville - que servem para disseminar a marca e captar novos pacientes.

Com essa estratégia, o A.C. Camargo quer alcançar especialmente os pacientes "particulares", ou seja, aqueles que não são clientes de convênios ou atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e por isso pagam mais pelos serviços. Há três anos, segundo Machado, apenas 1% dos pacientes eram particulares, mas hoje a proporção chega a 10%. Outros 60% são do SUS e 30%, dos convênios.

Outro plano do A.C. Camargo é oferecer cursos à distância sobre oncologia para profissionais da saúde. O hospital já tem 20 pólos de ensino espalhados pelo Brasil e está finalizando a montagem de um estúdio em sua sede, em São Paulo, para gravação das aulas. "É uma atividade que vai gerar receita", afirma Machado. "Faz parte da nossa estratégia de que todas as nossas áreas de atuação - ensino, pesquisa e assistência - sejam sustentáveis."

Até o fim de 2010, devem ser investidos R$ 100 milhões em expansão, pesquisa e ensino. A instituição tem cerca de R$ 50 milhões em caixa e financiamento de R$ 25 milhões do BNDES. Machado afirma que o hospital deve buscar mais um empréstimo.

Fonte: Valor Online/SP:03/06/2008


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